Às vezes, pelas intermitências da vida, me via sem asas, ou por emprestá-las aos anjos ou por preguiça ou pelo peso de se ter asas. Às vezes, me via sem anjos, pelas intermitências da vida, pelos pesos que sobrecarregavam minha preguiça. Às vezes me vejo sem preguiça, ainda com as insistentes intermitências da vida, porque voo com meu anjo e divido o peso sobre as nossas asas.
sábado, 27 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
o amor começa depois que acaba
Depois de alguns anos, percebi que o amor acontece de maneira inevitável, mas podemos escolher a maneira de amar o amor. E nesse momento, quando dizemos "SIM", lançamos tudo e mais um pouco de nós ao mundo. Tudo vira nosso correspondente imediato. Desde os póros que se abrem a um simples toque com a palavra, até a mais ínfima borboleta cor-rosa-choque-linda que emite bolinhas de sabão coloridas lá no Paquistão! Yes! Estamos amando. O universo todo sabe, o âncora do jornal nacional sabe, sua família inteira sabe, o padeiro, o delegado, seu cantor predileto (que agora só canta as músicas que você gosta), o dentista sabe e você descobriu que funciona levantar o braço quando sentir dor (conforme recomendado desde sempre pelo dentista), mas por que a gente teimava em berrar e retorcer todo o corpo antes de levantar o braço? Porque antes do amor, os detalhes são como o ego: não servem para nada! Ahhh, mas depois que o amor chega... todos os detalhes são ovacionados como se fosse o princípio ativo da vida. E talvez não percebamos, mas nesse momento estamos dizendo ao mundo: estou entregando minha vida para outra pessoa, ainda que não reconheçamos (talvez não de uma maneira consciente), que nesta entrega vai junto um pacote. Amar, de certo modo, é saber que existe a possibilidade de outra pessoa causar a 3ª guerra mundial na sua existência e ainda confiarmos nossa vida a ela. E não tem nada que possamos fazer contra isso, já escolhemos o modo de amar, lembra? Será que poderia ser diferente? Sinceramente não sei. Só que as vezes, o amor vai amar outro amor que vai encontrar outra historia que vai causar glorias e lágrimas em outras vidas... e nessa conexão vital, de repente nos vemos só. O âncora do tele jornal é um chato da porra, sua família é um saco, o dentista é a personificação da quinta geração do bebê de Rosimarie e "eu vou colocar meu braço onde eu quiser, seu fdp". Algo quebrou. FAltou. Coisinhas não serão mais iguais. O ego pesa. O sono passa. E o coração não pulsa. Enfim... o amor traz vida à vida e quando finda...fim de tudo. Tenho comigo algo que gostaria imensamente de dividir com vocês: salvo todas as dores que um rompimento traz, toda a adaptação que nosso cérebro faz com a nova rotina e o desconforto do ego, acho que é nesse momento que aprendemos a de fato amar. Escolhemos amar o amor quando ele vai embora e não quando chega. É nesse resquício de "quase-morte", que de fato aprendemos a nos ver, a lapidar a vida e o outro. A nos enxergamos muitas vezes entre cacos e redescobrir-se. No inicio a gente ama " o outro", ama a sensação que a simples existência de outro ser nos causa. No colorido tudo é muito fácil, somos hipócritas, seres entorpecidos por uma vaidade preenchida por momentos de êxtase. O amor, de fato, existe quando vai embora. É aí, bem nesse momento que o amor dá um tapa na nossa cara e sai pela porta da frente, é quando precisamos mais do que nunca usarmos todas as máximas que o amor nos ensina: sermos humildes com as nossas dores, explorarmos a magnitude do perdão e a sapiência em ao menos tentar nos colocar no lugar do outro. CAncelarmos nossas culpas e lembrarmos de nossa fé. O amor, em sua essência nao tem fim, a gente so precisa aprender a amar, principalmente quando o amor acaba. (por Aline Lãca)
sábado, 2 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
o sorriso que alimenta
Ela tem uma graça ingênua e romântica...meio
Chaplin, que me emociona, me excita, me esvazia ... e depois me
preenche, com essa sensação de que absolutamente tudo fica possível,
quando do lado dela olho pra dentro de mim. E ela, sem saber, me
empresta seus exércitos, me torna mais feroz, mais digna de viver o peso
da lágrima ou do riso. E então eu vejo aquele tantão de vida quando ela
pega a xícara com café quente, leva-a
até a boca...com os olhos fechados para não entrar fumaça e, com a
delicadeza como a de alguém que carrega uma lágrima na mão, me oferta um
sorriso. Pronto. Fez-se o milagre diário. E todo dia peço, nas noites
que antecedem essas manhãs, que se caso ela não me der um sorriso no dia
seguinte, eu consiga emprestar o meu a ela.
kali
..e então ela viajou o mundo todo, encontrou
piratas e deuses, interrompeu lágrimas, embora tivesse motivos para
deixa-las cair. Sorriu um bocado, inventou sorrisos, alguns foram
sinceros. Viu a humanidade brindar com champagne à própria miséria. Viu
seus olhos em outros olhos e seu coração em outras mãos. Dispensou o
óbvio. Enterrou planos. Viveu o inusitado. Sobreviveu a tudo e veio
embora sem escudos, não precisava mais deles. Aprendeu a ser forte,
sabendo admitir suas fraquezas. E quando encontrá-la, não a interrogue
sobre seus amores, qual sua comida preferida ou quais lugares ela mais
gostou. Ela viajou o mundo todo e é constiuída muito mais por perguntas
do que respostas.
da dúvida
A dúvida é uma chatice que podemos ultrapassar, enquanto a certeza...uma chatice que nos limita.
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