- Quanto que é o programa?
- 150.
- Faz tudo?
- Com anal é 200.
- Beija na boca?
- Com beijo na boca é 1500.
- Ô loco! Por que a boca é bem mais caro que o cú?
- Porque eu estipulo meu preço de acordo com o esforço que eu tenho que fazer.
sábado, 4 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Espelho, espelho meu...
você poderia ter me amado, mas teu pedestal nao deixou.
Essa coisa coisa que você sobe em cima e te leva a enxergar as pessoas com uma lupa é apenas um escudo brincando de segurança.
Desça daí, permita-se ser fraca o bastante para ser suficientemente humana.
A força tá na lágrima, na sangria do corte que precede a cicatriz.
Mas voce plagiou algum Deus, e como todo deus, errou...porque almejou ser mais do que meramente humano e acabou virando único...e por ser tão ímpar morreu sem nunca ter tido a chance de perdoar o teu espelho.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
quando o diabo ama.
Encarou o cabra com a alma sangrando, sua raiva afiava a peixeira, mas não precisaria de lamina, suas palavras metralharam tudo. Era o macho indo ter com aquele que roubara-lhe a fêmea, ou fora ela quem permitiu-se perder? Já não mais importava.
Já tinha vivido um pouco de tudo na vida, quiçá viera ter no mundo a função de cobaia, vai ver que foi deus que testara o corpo do pobre pra ver ate onde o cabra macho agüenta.
E ele agüentava. Era só carne, osso e desafio, era feito disso.
Sobreviveu, talvez por promessa de antepassados, que também não tiveram melhor sorte e deixaram-no sozinho, com cheiro de morte, mas o danado vingou.
Mas lá foi ele, matou algumas vezes e morreu tantas outras, e sempre acordava acreditando que o sol que lhe dava sede era o mesmo que norteava o caminho.
E, num desses caminhos, vem aquele que ate então não conhecia, nem nunca tinha ouvido falar. Vem aquele que lhe deixa sem sono e é muito maior que o deserto. Por vezes vazio, mas de um vazio tão grande que o preenchia. O cabra não entendia nada. Era só aquela maldita sensação de felicidade que culminava depois em solidão, porque nunca se contentava. Era aquela incapacidade de soletrar o sentimento, de esvaziar de novo o coração e viver somente pra si. Não conseguira.
Num desses caminhos encontrou a praga que o levou ao desespero mais do que toda a fome ou desgraça que tenha lhe sucumbido a vida e, que se ate hoje tais desgraças lhe preservaram o pulso foi somente por uma questão de crença “cabra macho não se mata”, mas fora difícil agüentar ate aqui.
E um filme passara-lhe pela cabeça, só viu miséria e cactos e o pior deles era esse que lhe arranhava a alma. Esse que veio através do cabelo negro e corpo magro, da pele morena e um olhar que lhe desnudava. Esse desejo trazido por ela e que por causa dele, pela primeira vez, o cabra viu-se sozinho, mesmo tendo passado a vida toda só. Agora era solidão da falta. E o cabra chorou.
Chorou alto, gritou desesperadamente àquele que a levara embora, apontando-lhe o dedo na cara: “...e se um dia tu fizer ela chorar e nem se quer carregar a lagrima dela com cuidado pra modo de não deixar a maldita lagrima cair no chão e fazer nascer tristeza, eu juro que vou atrás de tu e lhe arranco a vida e ... trago a minha de volta...”
E saiu no galope o cabra macho, e ate hoje ele chora.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Nunca mais limpei teu cinzeiro.
Queria ver em ti um pedaço que eu não gostasse, assim...um defeito intolerável, não esses defeitos que você tem, esses são aceitáveis e pra mim eles só existem como um capricho, sei lá se feito por Deus ou por alguma coisa que te construiu assim: com tanta coisa boa e jogou uns defeitinhos por cima só pra não ficar “anti-humano”.
E quem me inventou me fez assim: feita não sei com que material, mas que se desmancha só em ouvir teu nome.
Ahh..e quem inventou a paixão tava mesmo desmiolado. Que coisa mais doída, mesmo que seja boa, ainda assim dói. Essa paixão dá pra gente um monte de fantasma de verdade. Não sai nunca, persegue, tira a gente da gente.
É ruim. E certos dias, que nem hoje, que eu tava só andando, acompanhada de um pedacinho de mim, quando alguém na rua gritou teu nome.
(é como se alguém tivesse espancado meu estomago) Cadê meu passo? Minha saliva?.
Tenho saudade infinita, alias aqui dentro é só o que tenho. Esquisito isso: aquilo que me preenche é justamente tudo o que me falta.
Mas...era só teu nome. Apenas gritaram na rua e eu fechei os olhos nesse instante, tive medo de que fosse você assim perfeita, linda, andando na mesma calçada.
Eu sabia que não era você, mas quem sabe, talvez fosse.
Fechei os olhos rapidinho. Numa mão torci os dedos, fazendo uma figa e pedi que fosse você, e na outra mão eu pedi que não fosse.
Coisa chata essa paixão. Faz a gente chorar que nem bobo no meio da rua...só porque ouvi teu nome...
Mas não era um nome qualquer, era o TEU nome...que me trouxe o teu jeito de olhar, de andar, de sorrir, de falar, de mexer no cabelo, de sentar sobre as pernas, de levar o cigarro ate a boca, e abraçar os joelhos enquanto assiste TV, de dar dois tragos e apagar pra fumar daqui a pouco...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Cristina.
Ela fechou o livro e os olhos.
Ficou no escuro, acompanhada apenas por um cigarro.
Domesticava suas dores, ao menos durante o dia, mas a noite...se entorpecia de passado e tateava expectativas menos mórbidas para o amanha.
Sofria calada com seus calos.
Acreditava em Deus, mas andara outrora de mãos dadas com o diabo.
Não se contentava com o óbvio, sua vida até ali lhe dera passaporte apenas para as coisas deslocadas.
Mas, entre choros escondidos, manteve-se firme. Administrou seus vícios, cancelou romances, cultivou descrenças e distribuiu indiferença. Era réu e juiz de si. O que não podia absolver, era absorvido pelo cansaço e quiçá esquecido.
Não era fácil ser ela, mas não desejava ser outro.
Naquela noite, percebeu ferrugens em seu escudo. As aflições tomarem conta do quarto, passaram a ser sua companhia. O cordão umbilical com o passado pesou como uma ancora, como de fato o era.
Tantos passos dados...mas onde estava o chão? Não sentia o caminho, não sabia pedir ajuda, orou deitada porque não sabia ajoelhar.
Pediu perdão a si por ter sido sempre demasiadamente forte.
Seu choro invadiu tudo, inundou o escuro, virou luz.
Olhou para as faltas, almejou não estar ali, mas “ali” era ela.
Era ela o escuro, era ela o choro, era ela a solidão...
Era ela descascando a razão... e descobrindo a razão de sua tristeza.
domingo, 10 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Do diálogo com a geladeira
Há tempos minhas madrugadas abrem parênteses para meus monólogos com a geladeira, ou quase um diálogo, visto que, loucura ou não, juro que obtenho respostas desse objeto-grande-branco que reside em minha cozinha.
Levanto e como num encontro marcado, vou ainda com os olhos fechados ate a geladeira.
Abro a porta e a luz que emana me avisa que é preferível abrir os olhos.
Verifico seu conteúdo, tudo anatomicamente organizado, em seus devidos lugares (que inveja! Meus conteúdos estão quase sempre deslocados).
A caixa de leite aguardando para ser aberta, o que já me faz refletir que talvez o leite seja um dos alimentos mais antigos, porem nunca inventaram um recipiente propicio para tal. A caixinha é bonitinha, encaixa perfeitamente na prateleira, mas por que eu sempre derramo o leite fora do copo? A embalagem as vezes engana tanto!
Na prateleira de cima encontram-se os condimentos: ktchups, mostarda, maionese, um pedaço ínfimo de tomate, OPA, tomate? Pra que guardar um pedacinho ridículo de tomate? Tomate guardado tem sua função, ainda mais os pequenos-que-nunca-seräo-utilizados: de certa forma ele é responsável em nos lembrar que o tempo passa. Primeiro ele vai ficando irrugadinho, as bordas vão se fechando e com o passar dos dias sua coloração altera do vermelho-tomate ao amarelo-verde-qualquer-coisa.
As jarras de suco são teimosas, não sabem lidar com o desapego, tanto quanto as garrafas de coca-cola. Fica lá, eternamente, com a quantidade mínima, calculadamente deixada para não esvaziar o recipiente. Eu juro que tanto a jarra quanto a garrafa me imploram “por favor, não me beba, deixe-me aqui com esse restinho”. Eu respeito, e as compreendo. No fundo, no fundo, acho que a gente é bem raso, tem tanta coisa sem conteúdo nenhum que somos obrigados a suportar!
Os ovos! Jamais se misturam. Fico imaginando o quanto são rotulados como “superiores”. É fato que eles teem um lugarzinho privilegiado, personalizado, e olham tudo de cima, mas eles merecem! Aposto que os outros alimentos não pensam o quanto deve ter sido difícil ser arrancado do galinheiro, quentinho, sem ter conhecido os pais e colocado num lugar gelado onde todo mundo te odeia sem nem ao menos saber da sua historia.
E a bandeja de iogurtes! Sempre com os quadrigêmeos de morango, com o ovelha-negra “abacaxi” e o mais velho “salada de fruta” que contém um pouco de todos, totalmente sem personalidade. Eu começo sempre pelo de morango, a consciência pesa menos, já que ainda restarão mais três iguais. O abacaxi deixo por ultimo, gosto de saborear a vitória da sua permanência, me identifico.
E lááá no fundinho, como querendo não ser encontrado, percebo um pacotinho cheio de coisinhas pretas. Arranco-o do seu conforto, protegido atrás da exuberância do pudim gigante, aquele acúmulo de uvas-passas (complexadas, escondidas pela beleza do pudim de leite condensado), mas minha boca enche de desejo (pelas uvas, não pelo pudim).
Pego o pacotinho. Pela ausência de olfato adquiri a mania quase mecânica de averiguar o prazo de validade. A aparência estava ótima, mas aparências enganam, é melhor eu me certificar quanto a validade (o mundo ta cheio de coisa linda que não presta).
Decepciono-me. Engulo meu desejo, o prazo de validade venceu. (e eu perdi)
Jogo meu desejo no lixo junto com as uvas-passas.
Pois é, a gente tem que saborear enquanto ta dentro do prazo, depois meu bem, não adianta reclamar, porque é fato: TUDO TEM SEU PRAZO DE VALIDADE.
Fui dormir, morrendo de vontade de uva-passa.
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