quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

[só-lido comigo: solidão]

Parece um golpe, uma armadilha do destino, mas é só solidão.
E a solidão é só uma companhia que a gente teima em denegrir.
É o vazio cheio de si.
É a hora do choro sincero, do espelho exalando um único cheiro, da letargia brigando espaço com a inércia.
Que seja ela, a solidão, "infinita enquanto dure", visto que é ela, e somente ela, que pode me levar até mim.
Porque no OUTRO, eu encontro a consequencia e nao a essência.
Eu quero EU em mim, não mais naquele.
Não para que eu me baste, mas para que se besta for, que seja assim concluido pela total presença de mim e nunca pela ausência de ninguém.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Puta

- Quanto que é o programa?
- 150.
- Faz tudo?
- Com anal é 200.
- Beija na boca?
- Com beijo na boca é 1500.
- Ô loco! Por que a boca é bem mais caro que o cú?
- Porque eu estipulo meu preço de acordo com o esforço que eu tenho que fazer.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Espelho, espelho meu...

você poderia ter me amado, mas teu pedestal nao deixou.
Essa coisa coisa que você sobe em cima e te leva a enxergar as pessoas com uma lupa é apenas um escudo brincando de segurança.
Desça daí, permita-se ser fraca o bastante para ser suficientemente humana.
A força tá na lágrima,  na sangria do corte que precede a cicatriz.
Mas voce plagiou algum Deus, e como todo deus, errou...porque almejou ser mais do que meramente humano e acabou virando único...e por ser tão ímpar morreu sem nunca ter tido a chance de perdoar o teu espelho.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

quando o diabo ama.

Encarou o cabra com a alma sangrando, sua raiva afiava a peixeira, mas não precisaria de lamina, suas palavras metralharam tudo. Era o macho indo ter com aquele que roubara-lhe a fêmea, ou fora ela quem permitiu-se perder? Já não mais importava.
Já tinha vivido um pouco de tudo na vida, quiçá viera ter no mundo a função de cobaia, vai ver que foi deus que testara o corpo do pobre pra ver ate onde o cabra macho agüenta.
E ele agüentava. Era só carne, osso e desafio, era feito disso.
Sobreviveu, talvez por promessa de antepassados, que também não tiveram melhor sorte e  deixaram-no sozinho, com cheiro de morte, mas o danado vingou.
Mas lá foi ele, matou algumas vezes e morreu tantas outras, e sempre acordava acreditando que o sol que lhe dava sede era o mesmo que norteava o caminho.
E, num desses caminhos, vem aquele que ate então não conhecia, nem nunca tinha ouvido falar. Vem aquele que lhe deixa sem sono e é muito maior que o deserto. Por vezes vazio, mas de um vazio tão grande que o preenchia. O cabra não entendia nada. Era só aquela maldita sensação de felicidade que culminava depois em solidão, porque nunca se contentava. Era aquela incapacidade de soletrar o sentimento, de esvaziar de novo o coração e viver somente pra si. Não conseguira.
Num desses caminhos encontrou a praga que o levou ao desespero mais do que toda a fome ou desgraça que tenha lhe sucumbido a vida e, que se ate hoje tais desgraças lhe preservaram o pulso foi somente por uma questão de crença “cabra macho não se mata”, mas fora difícil agüentar ate aqui.
E um filme passara-lhe pela cabeça, só viu miséria e cactos e o pior deles era esse que lhe arranhava a alma. Esse que veio através do cabelo negro e corpo magro, da pele morena e um olhar que lhe desnudava. Esse desejo trazido por ela e que por causa dele, pela primeira vez, o cabra viu-se sozinho, mesmo tendo passado a vida toda só. Agora era solidão da falta. E o cabra chorou.
Chorou alto, gritou desesperadamente àquele que a levara embora, apontando-lhe o dedo na cara: “...e se um dia tu fizer ela chorar e nem se quer carregar a lagrima dela com cuidado pra modo de não deixar a maldita lagrima cair no chão e fazer nascer tristeza, eu juro que vou atrás de tu e lhe arranco a vida e ... trago a minha de volta...”

E saiu no galope o cabra macho, e ate hoje ele chora.




terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nunca mais limpei teu cinzeiro.

Queria ver em ti um pedaço que eu não gostasse, assim...um defeito intolerável, não esses defeitos que você tem, esses são aceitáveis e pra mim eles só existem como um capricho, sei lá se feito por Deus ou por alguma coisa que te construiu assim: com tanta coisa boa e jogou uns defeitinhos por cima só pra não ficar “anti-humano”.
E quem me inventou me fez assim: feita não sei com que material, mas que se desmancha só em ouvir teu nome.
Ahh..e quem inventou a paixão tava mesmo desmiolado. Que coisa mais doída, mesmo que seja boa, ainda assim dói. Essa paixão dá pra gente um monte de fantasma de verdade. Não sai nunca, persegue, tira a gente da gente.
É ruim. E certos dias, que nem hoje, que eu tava só andando, acompanhada de um pedacinho de mim, quando alguém na rua gritou teu nome.
(é como se alguém tivesse espancado meu estomago) Cadê meu passo? Minha saliva?.
Tenho saudade infinita, alias aqui dentro é só o que tenho. Esquisito isso: aquilo que me preenche é justamente tudo o que me falta.
Mas...era só teu nome. Apenas gritaram na rua e eu fechei os olhos nesse instante, tive medo de que fosse você assim perfeita, linda, andando na mesma calçada.
Eu sabia que não era você, mas quem sabe, talvez fosse.
Fechei os olhos rapidinho. Numa mão torci os dedos, fazendo uma figa e pedi que fosse você, e na outra mão eu pedi que não fosse.
Coisa chata essa paixão. Faz a gente chorar que nem bobo no meio da rua...só porque ouvi teu nome...
Mas não era um nome qualquer, era o TEU nome...que me trouxe o teu jeito de olhar, de andar, de sorrir, de falar, de mexer no cabelo, de sentar sobre as pernas, de levar o cigarro ate a boca, e abraçar os joelhos enquanto assiste TV, de dar dois tragos e apagar pra fumar daqui a pouco...

...E eu nunca mais limpei o teu cinzeiro.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cristina.

Ela fechou o livro e os olhos.
Ficou no escuro, acompanhada apenas por um cigarro.
Domesticava suas dores, ao menos durante o dia, mas a noite...se entorpecia de passado e tateava expectativas menos mórbidas para o amanha.
Sofria calada com seus calos.
Acreditava em Deus, mas andara outrora de mãos dadas com o diabo.
Não se contentava com o óbvio, sua vida até ali lhe dera passaporte apenas para as coisas deslocadas.
Mas, entre choros escondidos, manteve-se firme. Administrou seus vícios, cancelou romances, cultivou descrenças e distribuiu indiferença. Era réu e juiz de si. O que não podia absolver, era absorvido pelo cansaço e quiçá esquecido.
Não era fácil ser ela, mas não desejava ser outro.
Naquela noite, percebeu ferrugens em seu escudo. As aflições tomarem conta do quarto, passaram a ser sua companhia. O cordão umbilical com o passado pesou como uma ancora, como de fato o era.
Tantos passos dados...mas onde estava o chão? Não sentia o caminho, não sabia pedir ajuda, orou deitada porque não sabia ajoelhar.
Pediu perdão a si por ter sido sempre demasiadamente forte.
Seu choro invadiu tudo, inundou o escuro, virou luz.
Olhou para as faltas, almejou não estar ali, mas “ali” era ela.
Era ela o escuro, era ela o choro, era ela a solidão...
Era ela descascando a razão... e descobrindo a razão de sua tristeza.

domingo, 10 de outubro de 2010